segunda-feira, 9 de junho de 2008

Catedral, admiração além da fé

por Ian Mendes

Ninguém poderia imaginar que, ao redor daquele imenso gramado seco, solto na paisagem em construção de Brasília, surgiria uma obra tão marcante. A Catedral Metropolitana ali situada,não é uma construção qualquer. O templo é uma homenagem à padroeira do Brasil – Nossa Senhora de Aparecida e os seus setenta metros de diâmetro são dignos de seu idealizador - o grande nome da arquitetura moderna brasileira - Oscar Niemeyer.

Em 1960, com a estrutura pronta, dezesseis colunas de concreto se erguiam de forma parabólica, influenciada pela arte barroca brasileira e os traços livres de Niemeyer. Juntas, as colunas representam bem mais do que as 90 toneladas que pesam. A Catedral é uma marca registrada na memória do brasiliense, presente em souvenirs vendidos para turistas. É bem vista por fiéis e não fiéis à Igreja. Sua construção e representação está acima de qualquer religião. Inaugurada em 31 de maio de 1970 e aos trinta e oito anos, a Catedral continua sendo ponto de visitação durante a semana e principalmente aos finais de semana.

Ao redor da Catedral existe uma praça com vendedores que ali estão há décadas e que juram jamais abandonar o local. Desde lembranças de fé, cartões postais, até flores artificais, o visitador pode também comer uma pipoca observando as quatro esculturas dos evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João. Esculpidas em bronze e com três metros de altura, as obras são dignas de estarem expostas em frente ao acesso ao templo. O autor das obras é o premiado escultor Dante Croce que frequentou a Escola de Belas Artes Fluminense, a Associação Paulista de Belas Artes, entre outras.

Lá dentro, além dos vitrais coloridos, o que mais chama a atenção dos olhares serenos pela paz que o ambiente permite são os três anjos suspensos no teto da Catedral. Seguros por cabos de aço, as obras clamam os olhares para cima, para depois ocorrer o tradicional giro de olhar ao redor do interior da Catedral. As esculturas possuem diferentes tamanhos e pesos. A menor localizada acima das demais, possui 2,22m de comprimento e peso de 100 kg. A segunda, de tamanho médio, possui 3,40m e 200 kg. A maior, localizada abaixo das demais possui 4,25m e pesa 300 kg. O escultor Dante Croce colaborou na fabricação das obras, mas o idealizador foi o ilustrador e escultor mineiro Alfredo Ceschiatti, responsável também pela "A Justiça", obra que se encontra em frente ao Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes em Brasília.

A contribuição de grandes artistas responsáveis pela beleza da Catedral é mantida em alto nível com Athos Bulcão. O carioca é o grande responsável pelas lajotas cerâmicas pintadas no batistério da Catedral e também por um pilar com passagens da vida de Nossa Senhora, localizada na entrada da Catedral. Os sinos da Catedral estão localizados do lado de fora em seu Campanário e foram doados pela Espanha.
Entre os dezesseis pilares da Catedral, estão inseridos vitrais triangulares na sua maioria de tons azul e branco, além do verde e marrom. A responsável pela obra é a reconhecida artista francesa Marianne Peretti. Marianne é também responsável por outros vitrais famosos da cidade como o do palácio do Jaburu, vitral do Panteão, Panteão da liberdade e outros. Curiosamente os vitrais de dois mil metros quadrados só foram inseridos na década de 90.

Em direção ao altar, doado pelo papa Paulo VI, estão longas fileiras de bancos de madeira aonde rezam os fiéis. A imagem da Padroeira Nossa Senhora de Aparecida é uma réplica da original situada em Aparecida do Norte, em São Paulo. Não menos importante é a Via-Sacra pintada por Di Cavalcante. Obra marcante e que representa uma forte oração do caminho que percorreu Jesus.

A Catedral fica aberta todos os dias para visitação, mas não se acanhe caso não seja religioso, pois este é um local onde além de alimentar o espírito, acima de tudo, serve para encher os olhos de admiração.

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